Olá, sou a Dra. Fernanda Ferrairo, muito prazer! Um erro médico me fez chegar até aqui e agora, luto para que você não sofra o mesmo que eu.


Gostaria de estrear meu espaço no Doutor Nature de forma simples, talvez até um pouco prosaica: falando um pouco sobre mim, minha trajetória profissional e pessoal.

Meu nome é Fernanda Ferrairo, eu sou médica e o meu trabalho é escrever. Eu sei, não é o que mais se vê por aí — mas acompanhem-me. Nos parágrafos seguintes, explico brevemente como cheguei aqui.

Apesar de sempre ter me sentido inclinada a seguir carreira na área de humanas — por gostar muito da leitura e da escrita —, quando chegou o momento da escolha, aquela escolha, optei pelo curso de medicina. Por uma série de fatores: vinha de uma família de médicos; admirava a profissão por considerá-la nobre, quase uma entrega; achava biologia uma disciplina instigante e tinha facilidade para aprendê-la. Sempre carreguei a pecha de nerd durante o colégio e, secretamente, tinha algum orgulho disso. Cursar medicina seria como fazer jus a ela, na minha cabeça.

Ok: talvez não fossem motivos razoáveis o suficiente para a escolha de uma profissão. Mas, quando se tem dezessete anos, qual motivo é razoável o suficiente? É uma decisão pesada demais que, erroneamente, nos é imputada cedo demais. Medicina me parecia o curso certo, e foi o curso que fiz.

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Tive altos e baixos durante a faculdade. A parte teórica sempre me interessou muito, principalmente aquela ligada à neurologia e psiquiatria — talvez porque, dentro das ciências médicas, elas sejam as mais humanas. Já a prática, nem tanto: nunca fui muito fã de cirurgias, plantões e hospitais de uma forma geral. A pesquisa sempre me atraiu mais. Claro, precisei passar por tudo; não pude escolher um nicho e permanecer por lá. Estudei, estudei, estudei mais um pouco e consegui. Me formei.

Logo em seguida, uma pequena tragédia pessoal aconteceu. Às vésperas das minhas festas de formatura, descendo um lance de escadas na minha casa, caí e fraturei o cóccix. Doeu muito na hora, mas segui com os meus afazeres. Semanas depois, eu descobriria que esse evento desencadeava uma nova fase da minha vida, que seria marcada por doença, dor, sofrimento e incapacidade.

Sentia muita dor ao sentar e, graças a isso, permaneci por pouco tempo nos empregos que arrumei depois de formada. Dava alguns plantões curtos — era só o que eu conseguia. Residência, nem pensar: era fora de cogitação passar o número de horas necessárias à formação de um residente em um hospital. Eu então comecei a procurar tratamentos mais e mais invasivos, visto que a fisioterapia me ajudava pouco e eu tinha pressa — afinal, era uma jovem adulta de vinte e três anos, recém-formada e louca para começar a viver pra valer essa nova fase.

Ao todo, passei por cinco cirurgias e diversos pequenos procedimentos. Um me deixou um pouco pior que o outro. Retirei meu cóccix, coloquei e tirei um catéter de morfina na coluna, coloquei e tirei um neuroestimulador, infiltrei corticóides, queimei raízes nervosas com radiofrequência, entre outros. Um desses procedimentos me causou uma doença muito mais grave do que a que eu já tinha, que era “apenas” dor crônica gerada por um cóccix fraturado. Quando o corticóide foi injetado acidentalmente no lugar errado da minha coluna, ele causou uma inflamação generalizada da membrana aracnóide (uma das três que envolve nossa medula), doença relativamente rara conhecida como aracnoidite adesiva. Ela não tem cura e causa dores excruciantes pelo corpo todo, além de vários outros sintomas. Pode, inclusive, levar à paraplegia e à morte. Qualquer intervenção invasiva para contê-la pode piorar a condição. O tratamento é paliativo.

Se antes meu trabalho já era limitado, agora, sair de casa havia se tornado um pequeno sacrifício para mim. Foi aí que veio a ideia de escrever. Resolvi tentar contar minha história, na tentativa de tornar a doença conhecida e alertar as pessoas para os riscos de intervenções mal indicadas (ou mal realizadas) na coluna. O risco de desenvolver a minha doença jamais me foi informado — pelo contrário. À época, os médicos me disseram que era um procedimento com riscos muito pequenos. Em todas as intervenções que fiz, era sempre a mesma história. Riscos baixos, resultados rápidos. Descobri, a duras penas, que não era bem assim.

Publiquei um artigo na Revista Superinteressante sobre o assunto, e a repercussão foi grande. Recebi relatos de pacientes do Brasil inteiro contando histórias muito similares à minha. Pessoas que passaram por diversas intervenções, dos mais variados tipos, e tiveram suas vidas transformadas para pior. Após esse primeiro artigo, continuei escrevendo sobre medicina e saúde. E foi com a publicação de outra matéria na Revista Super, em que discuto alguns dos grandes problemas da medicina atual, que surgiu o convite para a participação no Doutor Nature. (A matéria discute o excesso de procedimentos cirúrgicos desnecessários, os conflitos de interesses entre médicos e empresas farmacêuticas, a falta de verba para a saúde pública, a corrupção dentro dos sistemas de saúde, o papel do marketing na indústria de medicamentos, a ineficácia de grande parte deles à disposição no mercado, entre outros.)

O Doutor Nature visa dar um novo olhar à medicina: priorizar a prevenção e o bem-estar através de hábitos saudáveis ao invés do tratamento com medicações e cirurgias. A minha visão, após toda a jornada de dor e sofrimento, se alinha à desse espaço. Graças a isso, colaborarei com o site escrevendo uma coluna e falando sobre os mais diversos temas, sempre girando ao redor dessa premissa.

Será um prazer imenso ajudar quem se interessa por saúde e por alternativas de terapias menos convencionais a agregar conhecimento — sempre com base na ciência e no empirismo. E que tenha início nossa trajetória.

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  • Fernanda, li sua história para minha mãe na super interessante e ficamos muito emocionadas. Não podemos compreender o tamanho do seu sofrimento, mas mandamos mensagem positivas e achamos que você tem um papel para auxiliar tantas outras pessoas que estão sofrendo sozinhas e ignoradas para um sistema de saúde que não acredita na dor crônica.

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